Meu carregador é compatível? Guia por marca (Intelbras, WEG, BYD, Fast!, NeoCharge)
O que é OCPP, quais carregadores conversam com uma plataforma de gestão e o que fazer quando o seu não conversa: o modo medidor. Guia prático por marca.
Antes de fechar contrato com qualquer plataforma de gestão e cobrança de recarga, uma pergunta resolve 90% da dúvida técnica: o carregador da vaga fala OCPP? Se falar, ele conecta direto e o resto é configuração. Se não falar, existe um caminho alternativo — o modo medidor — que funciona em praticamente qualquer instalação. Este texto explica os dois cenários e passa marca por marca (Intelbras, WEG, BYD, Fast! e NeoCharge) para síndicos e instaladores saberem o que verificar antes de comprar.
O que é OCPP 1.6J, em português direto
OCPP (Open Charge Point Protocol) é a linguagem padrão que um carregador usa para conversar com um sistema central pela internet. É um protocolo aberto, mantido pela Open Charge Alliance. A versão mais comum no mercado hoje é a 1.6, e a variante 1.6J significa apenas que a comunicação trafega em formato JSON sobre WebSocket — na prática, a forma moderna e mais usada de implementar a 1.6.
Quando um carregador é compatível com OCPP 1.6J, ele consegue reportar, em tempo real, quem iniciou a sessão, quantos kWh foram entregues, quando a carga começou e terminou, além de aceitar comandos remotos como liberar ou bloquear o ponto. É isso que permite a uma plataforma como a VoltMesh identificar o usuário, medir o consumo, aplicar a tarifa do condomínio e prestar contas — sem ninguém anotar número de medidor no caderno. Se quiser ver o mecanismo inteiro, veja como funciona.
Por que isso importa para gestão e cobrança
Uma plataforma de billing precisa de duas coisas: saber quem carregou e quanto carregou. OCPP entrega as duas de forma nativa e auditável. Sem ele, a plataforma fica cega — não há como atribuir consumo a um morador nem gerar a cobrança automática. Por isso a pergunta sobre compatibilidade não é um detalhe: ela define se o condomínio conecta o equipamento direto ou se precisa de uma peça adicional na vaga.
A regra é simples e vale para qualquer marca: se fala OCPP 1.6J, conecta direto; se não fala, usa modo medidor. O restante deste guia é aplicar essa regra caso a caso.
Guia por marca
Importante: modelos, firmwares e linhas mudam com frequência. O que segue é orientação geral. Sempre confirme o suporte a OCPP no manual do produto ou diretamente com o fabricante antes de comprar — e, se puder, peça a versão exata (1.6J).
Intelbras
A Intelbras tem uma linha voltada a recarga veicular e boa parte dos equipamentos mais recentes traz conectividade em rede. Linhas recentes de wallbox costumam expor OCPP, o que na prática permite integração direta com a plataforma de gestão. Antes de comprar, verifique no manual se o modelo específico traz OCPP 1.6J e se a conexão pode ser configurada para o servidor da plataforma (endereço do central system). Se o equipamento for de uma linha mais básica ou apenas plug-and-charge sem rede, caia direto no modo medidor descrito abaixo.
WEG
A WEG atua forte em infraestrutura elétrica e tem soluções de recarga pensadas para ambiente comercial e condominial. Equipamentos das linhas mais recentes com conectividade tendem a suportar OCPP, o que os torna bons candidatos à integração direta. Como a WEG tem tanto estações mais simples quanto plataformas de recarga mais completas, a diferença de compatibilidade aparece entre modelos: confirme junto ao fabricante ou ao integrador se o item cotado expõe OCPP 1.6J. Havendo suporte, conecta direto; não havendo, modo medidor.
BYD
A BYD merece atenção especial porque a maioria dos condomínios encontra a marca no formato que menos costuma falar OCPP: o carregador portátil que acompanha o veículo e alguns wallboxes residenciais. O carregador portátil (aquele que pluga na tomada e no carro) em geral não tem conectividade OCPP — ele é feito para carregar, não para reportar sessão a um sistema central. Wallboxes de linha podem variar, então vale checar. Mas o cenário típico do síndico é: morador com BYD e carregador de fábrica, sem OCPP. Esse é justamente o caso de escola para o modo medidor.
Fast!
A Fast! é uma marca nacional voltada a eletropostos e recarga, e trabalha com equipamentos pensados para operação em rede. Linhas com foco em gestão costumam expor OCPP, o que favorece a integração direta. Confirme a versão (1.6J) e se o equipamento permite apontar para um servidor OCPP de terceiros — alguns carregadores vêm amarrados a uma nuvem própria do fabricante, e isso muda a conversa. Havendo OCPP 1.6J aberto, conecta direto.
NeoCharge
A NeoCharge oferece estações de recarga com perfil de gestão, e equipamentos desse tipo tendem a nascer com OCPP para viabilizar operação em rede e cobrança. Como sempre, a checagem é a mesma: versão 1.6J e possibilidade de configurar o endereço do sistema central. Se a linha cotada atender, integra direto; caso contrário, modo medidor.
E quando o carregador NÃO fala OCPP? O modo medidor
Aqui está a parte que resolve o problema de quem já tem — ou vai comprar — um equipamento sem OCPP, como o portátil da BYD. Você não precisa trocar o carregador. A medição passa a ser feita por fora dele, no circuito elétrico da vaga.
O arranjo é o seguinte: no circuito dedicado da vaga (aquele que já é exigido por segurança para qualquer instalação de recarga), instala-se um medidor DIN — um medidor de energia montado em trilho no quadro — acompanhado de um gateway que lê esse medidor e envia as leituras à plataforma. Assim, tudo que passa pela vaga é medido, independentemente de o carregador ser inteligente ou uma tomada. A plataforma trata esse consumo exatamente como trataria uma sessão OCPP: consolida o kWh, aplica a tarifa e gera a cobrança para o morador daquela vaga.
- Medidor DIN: mede a energia real que entra no circuito da vaga, com precisão de instrumento — não é estimativa.
- Gateway no circuito dedicado: coleta a leitura e a envia à plataforma, fazendo o papel de comunicação que o carregador não faz.
- Vínculo por vaga: como o circuito é exclusivo daquela vaga, o consumo já fica atribuído ao morador certo, sem ambiguidade.
A diferença prática em relação ao OCPP é que o modo medidor mede o circuito, não a sessão individual de cada plugada — mas para efeito de cobrança justa em condomínio isso resolve o essencial: cada um paga o que consumiu na sua vaga. É a mesma lógica de medição individualizada, aplicada por hardware quando o carregador não colabora. Se essa é exatamente a sua situação — meu carregador não fala OCPP —, veja o passo a passo e os requisitos na nossa FAQ, e entenda o encaixe geral em como funciona.
Checklist rápido antes de comprar ou aprovar
- Peça ao fornecedor, por escrito, se o modelo suporta OCPP 1.6J.
- Pergunte se dá para apontar para um servidor de terceiros (nem todo OCPP é aberto — alguns só falam com a nuvem do próprio fabricante).
- Se a resposta for não em qualquer um dos dois, planeje o modo medidor (medidor DIN + gateway) já no projeto do circuito dedicado.
- Confirme que a vaga terá circuito dedicado de qualquer forma — ele é premissa de segurança e é onde o medidor entra.
Resumo
Não existe marca “incompatível” com uma boa gestão de recarga — existe equipamento com OCPP e equipamento sem OCPP. Com OCPP 1.6J, a conexão é direta e o carregador reporta as sessões. Sem OCPP, como no caso comum do portátil BYD, o modo medidor (medidor DIN mais gateway no circuito dedicado da vaga) entrega medição individualizada do mesmo jeito. Para o mercado e os dados do setor, vale acompanhar a ABVE. Se quiser conferir se o seu cenário fecha, veja os planos e fale com a gente com o modelo do carregador em mãos — a gente diz na hora se conecta direto ou vai de medidor.